Uma casa "quase"perfeita

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Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Dom Mar 09, 2008 7:18 pm

Relembrando a primeira mensagem :

Bem, já tinha esta história guardada a uns tempos e há uns dias atrás encontrei-a entre os meus cadernos. Decidi então agarrar nela outra vez e alterá-la, dar-lhe um melhor enredo. E aqui está ela!
Ah, os acontecimentos desta história dão-se depois da máscara de luz e antes de irem para Metru Nui. Se houver alguma coisa confusa na história, avisem-me ok? E eu ajudo Wink
E mais uma coisa: Espero que gostem!! Very Happy Very Happy



1


Mesmo que não pudessem estar no seu verdadeiro lar, eles tinham de arranjar um. Uma carrinha com um espaço muito reduzido não era exactamente um lugar confortável para 7 pessoas dormirem ou comerem sequer. Mesmo que esta tinha sido indispensável durante a sua busca, eles precisavam de mais espaço. Já era impossível esticar as pernas lá dentro quanto mais com o Pewku a saltar de um lado para o outro como um canário engaiolado.
Isso dava-lhes saudades da liberdade que costumavam ter. Já tinham passado dois meses desde aquele dia da emboscada. Como poderiam eles saber que mesmo depois do Takanuva o ter derrotado ele voltaria mais uma vez dos mortos para os atacar? Apanhados de surpresa e arrastados para aquela dimensão, transformados em seres humanos, formas vulneráveis contra as forças do Makuta… A vida deles não tem sido fácil.
A sua única esperança, de acordo com umas coisas que ouviram das legiões do Makuta, havia um ser com uma máscara capaz de transportar pessoas entre dimensões. O seu nome: Brutaka, e estava ali naquela dimensão por razões que ninguém conseguia descobrir. Seja quem ele fosse, os 7 Toa estavam decididos a ir atrás dele e pedir-lhe ajuda. As armas e poderes que felizmente ainda estavam com eles e davam alguma vantagem na sua busca.
E assim começara a aventura deles, lutar contra as sombras, a viajar em busca desse famoso Brutaka e acima de tudo esconder a sua identidade das outras pessoas.
Mais uma vez, Pewku deu um pulo entre eles, a tentar olhar pela pequena janela. Ela não fazia muita ideia do que eles tinham passado e naquele momento só estava interessada em sair daquela carrinha.
- Pewku, vem para aqui. – Pediu Takanuva um pouco impaciente como os outros. Pewku mirou-o com uma alegria nos olhos de cachorro e fez o que ele disse, saltando para ao pé dele e enroscando-se, ainda aborrecida por estar ali. E não era a única.
Pois é, estavam mesmo a precisar de encontrar uma casa…..

- Oh, irmãos, ouçam isto! – Avisou Gali ao ler o jornal. Já há algum que tinha arranjado aquele hábito de os ler. Era útil, interessante a ajudava a passar as horas enquanto viajavam. Algumas cabeças apareçam na pequena janelinha, todos menos Tahu que estavam a guiar naquela tarde. – Encontrei um anúncio de uma casa à venda ideal para nós.
- A sério? – Perguntou Pohatu.
- Vejam a fotografia. – Virou para trás e encostou a página à janelinha. – Parece muito espaçosa.
- Hmmm, o preço parece bom também. – Reparou Onua.
- “Muito espaço livre, árvores no quintal, uma cabana e com vista para o rio”… - Leu Lewa, que começava a gostar da ideia.
Tahu fez uma careta com a última parte.
- Preferes continuar a dormir na carrinha? – Sugeriu Gali. – Tahu, temos de tentar, pode ser uma oportunidade que se calhar nunca mais voltaremos a ter.
- Está bem, tens razão. – Resmungou um bocado enquanto agarrava num mapa. – É longe?

Eles nem podiam acreditar quando finalmente a viram com os seus próprios olhos. Era ainda maior do que aparentava ser na foto e parecia quase nova, excepto por algumas telhas partidas e alguns partes que bem precisavam de ser pintadas outra vez. O jardim não estava mau, muito verde e com um ar acabado de ser cortado. O rio ao lado da casa só a tornava mais bonita e convidativa.
Lewa, Pohatu, Kopaka e Takanuva saíram rapidamente da carrinha para esticar as pernas e foram logo para o jardim, gozar a liberdade. Não valia a pena eles dizerem se gostaram. Onua observava cuidadosamente a casa com um sorriso enquanto que Kopaka não tinha dito uma palavra desde que tinham chegado. Contudo nada parecia dizer que pensava o contrário; Tahu estava a começar a gostar da casa e Gali estava encantada.
- Foram vocês que me chamaram para ver a casa? – Uma mulher baixa com um sorriso de orelha a orelha e mãos enrugadas cumprimentou-os com um agitado nervosismo. – Boa tarde, o meu nome é Susana. Entrem, entrem, tenho a certeza que vão adorar esta casa.
Seguida pelos Toa, a mulher aproximou-se da porta principal e tentou tirar as chaves do bolso. As suas mãos tremiam enquanto procurava a chave no molho que tinha guardado e quase que deixava-as cair todas.
- Está bem? – Perguntou Gali, preocupada.
- Oh, não te preocupes filha, eu ando só um bocadinho meio atrapalhada. Pronto, cá está a malandra! – E rapidamente abriu a porta, deixando eles entrar primeiro.
Mas quando ia a entrar na casa, Takanuva parou. Um súbito arrepio percorreu-lhe a espinha e olhou à volta; mas não estava ninguém, só Pewku ao pé dele. “Deve ser do frio” Atou o melhor o casaco e encaminhou-se para dentro.
- Anda Pewku!

O interior da casa estava despido de vida: paredes brancas, algumas com marcas de quadros que estivessem estado ali, quase nenhuma mobília que fazia o interior parecer maior. Havia um estranho cheiro de madeira, com odores do passado e muito pó que dava um ar desarrumado e melancólico à casa. Mas nada disso lhes importava, eram coisas que podiam ser remediadas com o tempo. E tinha o essencial para eles, e ainda por cima equipada. Parecia inacreditável.
- Tem um sótão com uma vista fantástica. Venham ver. – Continuou Susana abrindo uma porta com outra das suas chaves. Subindo umas pequenas escadas, podia-se ver que era muito simples à primeira vista: roupeiro, cama, uma escrivaninha já muito velha e a tal janela que ela abriu para mostrar a bela paisagem. A vista sobre o rio, a floresta e o quintal tinha agradado muito a Lewa que se aproximou mais para ver. – Vejo que gostou. Tem bom gosto. É um dos quartos mais bonitos desta casa. Agora vou mostrar-vos a sala. É muito grande, vão ver! É ideal para fazer festas. – Soltou umas gargalhadas estridentes e guiou-os para o próximo.
A mulher não estava a brincar, A sala era mesmo muito grande. Tinha umas portas de vidro que davam para uma varanda no jardim, umas estantes vazias, um relógio e ainda uma lareira e um sofá grande; várias ocupavam a sala, iluminando-a completamente.
Estavam todos com um grande sorriso, e a vendedora achou que era a altura:
- Bem, desejam comprar a casa?
-O que acham irmãos? – Perguntou Gali.
- Eu gosto. – Disse Onua.
- Eu também. – Apoiou Pohatu.
- Força. – Tahu respondeu. Os outros falavam baixo mas todos também concordavam com a ideia.
- Então sim, nós compramo-la.
- Esplêndido! Então venha comigo querida. – Agarrou o braço dela e puxou-a para o jardim. – Eu deixei os papéis no meu carro. Só tem que os assinar, pagar e eu dou-lhes as chaves, está bem?
Gali assentiu e deixou-se levar por ela até ao carro. Mas antes de tirar os papéis da pasta, ela lembrou-se de outra coisa:
- Ia-me esquecendo: se quiserem pintar a casa estão umas tintas debaixo do lava-loiça. É caso quiserem dar uma corzinha à casa, dá jeito às vezes para dar um novo ar.
- Obrigada. – Disse Gali.
O negócio foi feito ali mesmo no carro e em poucos segundos, Gali recebeu as chaves.
- Divirta-se na sua nova casa! – Susana falou num tom fino e rápido, acenando com a mão a tremer outra vez. E assim que a sua cliente voltou para a nova casa com um ar satisfeito, ela respirou de alívio e entrou no carro.
Nunca pensara que ia ter tanta sorte. O dia tinha estado a correr-lhe bem: ia ter um jantar de amigos logo à noite, ia ainda apresentar outras residências a outros clientes e tinham-se livrado daquela casa. E rezou fervorosamente para que fosse a última vez que lá fosse meter os pés…..

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Ter Dez 23, 2008 7:06 pm

Lhikan escreveu:Está fixe este capítulo, e bastante ENORME também Razz , achei piada à cena da velhota.... é impressão minha ou a casa dos toa está amaldiçoada Suspect ....... só pode não é Rolling Eyes


^^^: Pois, nem me dei conta. Eu até pensava que era pouco, vê lá. Pois, a Jo
é bastante inofensiva, mas ela vai ser uma bela ajuda Wink. Hmmm, é muito provavél, não é? Em breve verás!

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por zsdiogo em Ter Dez 23, 2008 7:15 pm

sabes o que acho? acho que es fantastica. acho que tens uma grande creatividade e o dom das palavras. continua e vais ser uma escritora muito famosa, ed epois vou lembrar-me que as tuas primeiras publicaçoes foram num forum de bionicle

Boa Sorte Wink

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Lhikan em Qua Dez 31, 2008 4:37 pm

É verdade! Faço minhas as palavras do zsdiogo, tens um verdadeiro talento para escrito, algo que muitos escritores não têm, algo que só mesmos uns poucos têm.... continua assim Wink

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Stronius1 em Sab Jan 03, 2009 3:10 am

concordo com os dois acho que vai levar suscesso na carreira das palavras

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Sab Jan 03, 2009 11:56 pm

Bem Embarassed Os vossos comentários apanharam-me mesmo de surpresa. Não sabia que tinha mesmo jeito Very Happy Very Happy mas muito obrigada! Acho que esta será sempre a minha paixão.
Muito obrigada pelo vosso apoio Very Happy Significa mesmo muito!!

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Ignika em Dom Jan 04, 2009 3:46 pm

simplesmente estao a dizwr a verdade, tu tens mesmo geito para isto, se continuares e aperfeiçoares esta 'arte' (que e o que e na realidade) vais ser muito bem sucedida na carreira da literatura! Very Happy

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Seg Jan 26, 2009 12:31 am

Olá, tudo bem convosco? Espero que sim! Aqui vai o próximo capítulo da minha história Smile Espero que gostem deste também! As próximas partes virão a caminho.

7 - parte 1

No ar voavam várias perguntas: “O quê?!”, “Quem?”, “Como é que sabes?”, “Como é que isto pode ser?”… Gali gostaria de poder responder a todas as perguntas, mas ela pacientemente contou o que aquela idosa lhe tinha dito, repentindo tudo devagarinho e as vezes que fosse preciso: “Brutaka não está aquim, não vale a pena procurar.”
Entre os Toa havia confusão, dúvida e tristeza. Queriam negar a eles mesmos que a sua aventura ainda não tinha acabado, não queriam acreditar que não estavam perto de o encontrar.
- Mas quando é que viste essa mulher? – Perguntou Onua.
- Hoje. – Admitiu Gali, mostrando o pendente. – Fui à procura dela para saber o que isto significava.
- E o que é? – Perguntou Pohatu.
- Um amuleto, para me proteger…
- O quê? Vem aí um mal-maléfico? – Perguntou Lewa, aflito.
- Não tenho a certeza Lewa.
Mas no fundo, todos sabiam bem a resposta; alguns mais do que outros.
- Gali… - Gali olhou para Takanuva, que estava a dar festa na cabeça da Pewku. – Achas que podemos confiar nela?
- Eu também não acreditei, mas depois ela disse que sabia quem nós somos. - Tahu levantou-se bruscamente da mesa, assustando todos ao pé dele.
- Estás a dizer que ela descobriu-nos? – Perguntou com um misto de nervosismo, receio e fúria.
- Não exactamente. Ela não sabe que somos Toa ou o que fazemos aqui sequer, mas tem a certeza que não somos humanos. Sabe que nós temos poderes.
- Mas é perigosa? – Perguntou Kopaka.
- Não, ela é inofensiva. Apenas quer que nos vamos embora desta casa.
- E ela disse porquê? – Perguntou Onua.
Gali acenou negativamente com a cabeça.
- Bem, não sei se é perigosa ou não… - Disse Lewa, encolhendo os ombros. – Mas certeza- segura que lhe deve faltar uns parafusos.
- Acho que não, acho que ela sabia do que estava a falar. Mas ela parecia…assustada, Como se tivesse medo que se dissesse aconteceria uma desgraça.
- Então quer dizer que confias nela. – Concluiu Onua. E Gali assentiu com a cabeça:
- No fundo ela deve estar preocupada connosco.
O silêncio que se deu entre eles era ainda mais insuportável do que o barulho. Cada um fazia as suas perguntas para si mesmo, à espera de uma resposta enquanto olhavam à volta. Mas afinal que espécie de mal continha aquela casa?
Mas ainda mais importante: o que iriam fazer? Se Gali confiava naquela mulher então de certeza que não estava a mentir. A Toa da água fazia sempre bons julgamentos sobre as pessoas. Porém, a realidade de que ainda não podiam voltar era demasiado dolorosa para aceitar. Ninguém era capaz de reagir por algum tempo.
Até que Tahu se levantou da mesa e caminhou à volta para olhar para a janela, pensativo. Estava tão amargurado como os outros, mas alguma coisa tinha de ser feita.
- Então não vale a pena ficarmos aqui. – Disse Tahu, sem os olhar. – Temos de procurar noutro sítio.
- Sim… - Concordou Kopaka. – Mas para onde? Não temos pistas para nos guiar.
- Mas aqui não podemos ficar.
- Espera Tahu. – Pediu Gali. – Não podemos ir embora sem mais nem menos; Não podemos deixar o que fizemos aqui assim de repente. Deixa-nos assentar e abastecer-nos para a viagem. Não sabemos se teremos essa sorte em breve.
- Ela tem razão. – Apoiou Pohatu.
Tahu reflectiu por uns segundos as palavras dela antes de a olhar. Ela tinha razão, pensava ele, ela tinha sempre razão.
- Está bem. – Disse. – Ficamos mais uma semanas. Depois…
- Rápido-voltar para a carrinha…. – Respondeu Lewa aborrecido.
- Hm?
- Irmão, eu concordo com o Lewa. – Disse Onua. – Aquela carrinha é tão pequena para nós todos que fica desconfortável.
- Não podemos fazer nada em relação a isso irmãos. – Disse Gali, começando a pegar nos pratos sujos. – E se calhar é melhor irmos descansar. Amanhã temos trabalho.
“Não podemos fazer nada?”, pensava Tahu, sentindo uma ideia a formar-se na sua cabeça. Ele também não gostava daquela carrinha, a falta de espaço chegava a ser sufocante para ele. E sempre soube que nenhum deles se sentia à vontade lá dentro. Mas talvez ele podia mudar isso; como ele ainda não sabia, tinha de preparar melhor o seu plano.
Achou que se calhar devia ir dormir. Afinal, certos problemas resolvem-se apenas com uma boa noite de sono.

Como sempre, Tahu, Kopaka e Gali acordaram cedo de manhã para irem trabalhar. Mas naquele dia eles não tinham muita vontade de trabalhar, ou de fazer alguma coisa para os distrair sequer. Além disso, não tiveram uma boa noite e conseguiam ver isso nos olhares cansados uns dos outros enquanto desciam para a cozinha.
Mas, quando sentiram o cheiro do café no ar, acordaram no mesmo instante. E assim que entraram, surpreenderam-se ao ver Pohatu com uma caneca de café ao seu lado.
O rosto, tão cansado como o deles, causava-lhes confusão: aquele não era o Pohatu que conheciam.
- Bom dia. – Cumprimentou enquanto que se sentava na mesa. – Se quiserem há mais café.
- Pohatu, há quanto tempo estás aqui? – Perguntou Gali.
- Há umas horas. Não consegui dormir.
- Eu também não. – Disse Tahu, servindo-se de uma caneca de café também. Talvez se ele não tivesse virado as costas ele conseguiria ver que a expressão do seu irmão não mostrava apenas cansaço, mas medo. Um medo que era a verdadeira causa de estar assim.
Desde aquela noite em que a mulher apareceu que ele tem recebido sempre uma visita dela. Todas confusas e todas arrepiantes. Já não sabia que fazer, nunca lidou com uma coisa daquelas.
Ao menos de manhã o pesadelo acabava e o café ajudava-o a estar mais acordado. E a companhia dos seus irmãos e umas torradas que Gali fazia para todos era também uma boa maneira de começar o dia.
E pronto, a sua boa-disposição aparecia para melhorar as coisas!
Talvez um dia contasse aos seus irmãos o que se passava, o que ele via todas as noites que o assustava. Mas ele queria tentar saber o que ela queria, se era uma ameaça ou não. Era melhor não contar por agora. Estavam todos muito em baixo por causa do que se ouviu ontem. Não podia censurá-los, sentia o mesmo. E queria muito regressar a Po-koro…
Tinha de se apressar, não tarda eram horas de trabalhar. Pôs a louça no lava-loiça e foi vestir o casaco, tal como o Tahu, que se tentava despachar.
- Vens connosco Gali? – Perguntou ele.
- Não, obrigada Tahu. Ainda posso ficar mais um bocadinho. – Disse Gali, pondo a mesa para os outros. – Vão sem mim. Até logo,
- E tu Kopaka? Juntaste a nós? – Convidou Pohatu.
Kopaka ainda olhou para ele antes de responder, como se questionasse se ele tinha mesmo falado com ele. E quando Tahu tentou prever a resposta pelo olhar dele, Kopaka respondeu:
- Vou buscar o casaco…
Pohatu teve a bondade de lhe estender o casaco já que estava ao pé dele e lá saíram os três homens pela estrada, a caminho da vila.
Entre o Toa do fogo e do Gelo havia um silêncio inquietante, ainda mais irritante que o barulho. Nenhum deles sabia como começar uma conversa e também a sua disposição matinal não lhes dava muita vontade de começar.
Para Pohatu era um bocado desconfortável estar no meio deles daquela maneira. “É melhor dizer alguma coisa para quebrar o gelo.”
- Bonito tempo que se faz hoje. – Comentou Pohatu, olhando para o céu quase enublado. Uma fraca tentativa, mas não conseguia pensar noutra coisa. – Está um frio de rachar, mas está bom.
Tahu finalmente pôs um sorriso, o que aliviou Pohatu.
- Para mim isso já vai passar quando eu chegar à fábrica. – Disse ele mais divertido. – O Kopaka deve estar à vontade com este frio. Tu é que podes vir a ter problemas irmão.
- Querias. – Riu-se. – Um bom aquecimento e o frio já passa. E ao menos não fico ferrugento.
- Ah sim? Temos de ver isso.
- A qualquer hora irmão!
E riam-se os dois, muito mais bem-dispostos com aquela conversa. Kopaka sentia-se um bocado posto de parte, e pela primeira vez isso parecia incomodá-lo um bocado.
- E tu vens connosco. – Mandou Tahu de repente, surpreendendo Kopaka com a expressão dele, meio-séria, meia a brincar. – Ainda temos umas contas a acertar.
Ele não disse nada, apesar de que lhe agradava o desafio e assentiu com a cabeça.
Mas então, quando tudo parecia estar melhor, Tahu voltou a ficar sério.
- Não vale a pena esconder Pohatu. – Disse ele. – Estamos todos desapontados com as más novas.
- Eu sei irmão, mas acho que…
- Achavas mesmo que era desta? – Interrompeu Kopaka.
Tahu olhou para ele a tentar perceber se ele estaria a desafiá-lo ou a tentar gozar com ele. Mas não conseguia decifrar a expressão enigmática dele; e assentiu com a cabeça.
- Também eu. – Respondeu Kopaka, desviando o seu olhar para a estrada em frente. E ambos perceberam que sentiam a mesma angústia.
Apesar de sentir o mesmo que eles, Pohatu não queria que ele ficassem assim.
- Podia ser pior. – Foi o suficiente para fazer os fois olhar para o sorriso descontraído dele, incrédulos com as sus palavras. – Já repararam que estamos aqui à semanas e ainda não demos de caras com o Makuta? E ao menos não temos de procurar em vão aqui.
Os dois Toa ouviam-no sem interromper, e ficaram espantados com as verdades que ele dizia. E parecia que não tinha acabado:
- Além disso, ficar triste e lamentar não vai resolver nada. Se seguirmos em frente vamos conseguir voltar. Somos Toa, não somos? – Encolheu os ombros. – O nosso dever é arranjar soluções, e é o que fazemos sempre.
No fim nenhum deles conseguiu dizer alguma coisa, excepto concordar com o que ele disse. Ele tinha muita razão, nem tudo estava cinzento como o tempo. Era só preciso fé.
Tão simples que era que até Tahu se riu:
- Tu sempre foste o mais optimista do grupo. – Pohatu sorriu, aceitando o elogio.
- Pena que o optimismo não arranje algumas coisas... – Soltou acidentalmente um bocejo. - …como a carrinha, por exemplo.
Aquilo despertou o Toa do fogo e a ideia voltou a aparecer, como uma alarme acabdo de se ligar. Agradava-lhe a ideia, mesmo que não tivesse muitos meios. E também precisava de outro par de mãos, por mais que não gostasse de admitir.
- Cada coisa a seu tempo irmão. – E foi o que Kopaka disse que chamou a atenção de Tahu. Também ele tinha um olhar de quem andava a planear alguma, e ele tinha notado o mesmo nele. Seria nele que poderia confiar?
- Sim, tens razão. – Concordou Pohatu, começando a olhar para as grades que cobriam o campo de futebol. Fico por aqui irmãos irmãos. Adeus.
E saiu a correr, despedindo-se deles enquanto entrava.
Uns minutos depois foram eles que seguirem em caminhos separados. Não houve nenhum “Adeus” deles, Tahu tinha a certeza que ainda o ia ver; estava disposto a levar a ideia avante, mesmo que tivesse de trabalhar arduamente ao mesmo tempo.

Calmamente e com um sorriso sereno, Gali cumpriu a sua tarefa daquele dia: abrir e arrumar as revistas que tinham acabado de chegar naquela manhã. O seu patrão foi muito gentil e não ralhou com ela por ter faltado ao trabalho, por mais chateado que estivesse. Pelo rosto dela era melhor não piorar o humor da sua empregada.
Até as suas amigas notaram que ela estava muito calada; um sinal óbvio de que ela não estava bem. E fizeram todos os possíveis para a animar como contar-lhe histórias engraçadas, ajudá-la no trabalho e até partilharem juntas um saquinho de Gummi Bears. Aquela bondade fê-la sorrir um bocado, mas não conseguia tirar da cabeça o episódio de ontem à noite. E como foi tão difícil pô-los assim, os seus grandes companheiros de sempre. Vira as caras de todos, cada um desapontado e ela não deixava de se sentir mal por isso. Era pior do que a própria.
A única coisa que a confortava era que fez o que tinha de fazer, era a coisa certa a fazer por eles. Aquilo fazia-a sentir-se melhor e agradeceu às suas amigas que a abraçaram gentilmente.
- Somos tuas amigas. De que estavas à espera? – Perguntou Marisa. E juntas prosseguiram com o trabalho.

Nunca pensara que alguma viesse a pôr os pés em frente àquele sítio. Ainda por cima por que ele trabalhava lá. Era impensável.
Mas ali estava ele, em frente à biblioteca à procura do Kopaka.
Por minutos tinha de se esquecer a rivalidade que algumas vezes se metia no caminho deles… Mas acreditava que Kopaka, tanto como ele, eram capazes de se entender e não pensava em mais ninguém para o ajudar a levar a cabo o que ele tinha em mente.
Subiu a pequena escadaria e abriu a porta. Kopaka estava sentado na secretária a organizar umas listas dos novos livros quando o viu chegar, interrompendo completamente o trabalho. Havia qualquer coisa no seu olhar que era impossível de saber se estava surpreendido ou se já estava à espera dele.
- Temos de falar. – Começou Tahu. Kopaka limitou-se a ouvi-lo e a assentir. A maneira como se olhavam sugeria que ambos pensavam no mesmo.
- Pelos vistos também te andava a preocupar. – Disse Kopaka. Deixou as listas de lado e levantou-se da secretária. – Segue-me.
- Para onde?
- Para um sítio em privado, Não se pode falar aqui.
Tahu franziu o sobrolho, impaciente, e seguiu-o. Mas tinha a certeza que Kopaka tinha tudo planeado. E estava satisfeito: tinha mesmo confiado na pessoa certa.

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Seg Jan 26, 2009 12:33 am

7 - parte 2


Para surpresa de Gali, Onua apareceu na papelaria à tarde. Era uma visita agradável já que àquela hora do dia não havia muito movimento no trabalho.
Com um gesto da cabeça dele, apontando para as amigas dela, Gali percebeu o que ele quis dizer e pediu para falar em privado com o seu irmão. Fora da papelaria era o sítio ideal.
- O que é que se passa? – Perguntou Gali, preocupada. Não era hábito dele pedir para falar em privado se não fosse importante. Onua encolheu os ombros.
- Não há muito razões para procurar emprego agora. Ou até para perguntar se viram “algum estranho turista” passar por aqui, não achas? – As suas palavras baralhavam-na e punham ela ainda mais curiosa. – Eu vim cá por tua causa.
- Minhaª?
- Sim. Essa velha que encontraste, eu acho que já a vi antes.
- Quando é que a viste?
- Lembraste quando estávamos a pintar a casa? – Ela acenou com a cabeça, curiosa. – Ela estava a observá-la. E quando lhe disse que estávamos a viver lá, ela saiu a correr apavorada.
- Outra vez o mistério da casa… Eu nunca vi alguma coisa anormal.
- Nem eu. Mas talvez os nossos irmãos saibam.
- Eles nos contariam Onua, eles podem contar connosco.
- E se eles estão demasiado medo para nos contar?
Nenhum dos dois se sentia à vontade a pensar que os seus amigos podiam estar a passar por isso.
- Nós temos que investigar melhor. – Decidiu Gali. – Reunimos todos para descobrirmos mais depressa o que se está a passar.
- Boa ideia, logo à noite quando o Kopaka e o Tahu chegarem. É a melhor altura.
- Concordo. Vais para casa agora?
- Vou. Acho que o Takanuva e o Lewa estão em casa, vou ver o que eles andam a fazer. – Gali riu-se só de imaginar o que poderiam andar a tramar. – Até logo Gali, e um bom trabalho.
- Obrigada Onua.
- De nada irmã. – E seguiu caminho para casa.
Apesar de estranha, a conversa fê-la sentir-se melhor e até mais determinada. Estava decidida a descobrir que tipo de perigos aquela casa escondia e não deixaria que nenhum dos seus irmãos fosse apanhado.
E Onua também protegeria os seus irmãos, como sempre fez, se alguma coisa os estivesse a ameaçar.
Mas a caminho de casa perguntava-se se era verdade o que aquela velha mulher dizia. Como poderia uma casa ser uma coisa capaz de fazer mal a alguém? Para ele não fazia sentido nenhum. Mas também, desde que chegou àquela dimensão que muita coisa não fazia sentido.
Era um mundo diferente de várias maneiras, quase difícil de compreender. E ainda tinha muito para ver ali. Só se perguntava onde seria o seu próximo destino.
Finalmente chegou ao portão da casa. De lá ouviu gritos de alegria e emoção dentro do jardim; e, por uns meros segundos julgou ver uma bola, dois varas um pouco parecidas como as que se usa no kolhii e alguém a flutuar no ar, livre e feliz como um pássaro. Ver os seus dois irmãos a descansar era algo que o alegrava. Há coisas que nunca mudavam.
Ia abrir o portão, pensando em se juntar a eles quando uma coisa lhe chamou a atenção: uma estranha sensação que o vento lhe trazia e de repente um som metálico veio da caixa do correio.
E por mais estranho que fosse, era mesmo um envelope que estava lá dentro. Branco, novo e sem nada escrito, excepto a palavra escrita na língua matoran: Toa Nuva.
- Quem terá posto… - Onua sentia-se observado enquanto examinava o envelope que parecia ter mais do que um papel, tinha algo duro lá dentro como uma rocha.
Pensou ser ajuizado não abrir o envelope e guardou-o no casaco, correndo rapidamente para dentro de casa. Era melhor esconder a carta e mostrá-la mais tarde aos outros. Dentro de uma das suas gavetas estaria seguro de certeza.
E quando desceu as escadas, foi recebido pelos olhares curiosos e preocupados dos seus companheiros.
- Está tudo bem Onua? – Perguntou Takanuva, todo despenteado do jogo. – Vieste a correr cá para dentro e nem nos disseste olá.
- Não se preocupem irmãos. – Disse Onua, sem esconder o ar apreensivo que tinha. - Eu estou bem. Depois eu explico.
- Porque não agora? – Perguntou Lewa, tão despenteado como o Takanuva.
- É melhor se eu contar quando os outros chegarem.
- Mas o que é?
- É um estranho envelope… - Perguntava-se quem o teria enviado afinal. Seria aquela velha ou alguém do seu mundo? Aquilo intrigava-o ao mesmo tempo que o assustava. E ainda por cima estava muito curioso por abri-lo. Nem se importava se já.
Abanou a cabeça para afastar esses pensamentos.
- Vou buscar lenha. Está a ficar frio e é melhor acender a lareira não tarda.
Onua desceu as escadas em direcção à porta da entrada, seguido pelos outros que queriam continuar a partida, com Pewku a saltitar ao lado deles. Mas Onua impediu-os.
- Está prestes a anoitecer, e ainda por cima está frio. – Disse ele. – Vão para a sala que eu acendo a lareira para se aquecerem.
E saiu de casa, sem reparar na expressão constrangida de Takanuva, de quem preferia qualquer coisa excepto aquecer-se na sala.
E quando Onua veio para a sala com montes de lenha rachada, Takanuva ainda tentou sair, vestindo um casaco com Pewku a seu lado. Era bem melhor se desse um passeio antes que fosse muito tarde.
Porém, Lewa viu-o a passar e agarrou-o pelo ombro.
- Onde é que vais? – Perguntou ele, pondo Takanuva aflito por ter sido apanhado.
- Vou dar uma volta. – Respondeu Takanuva, fazendo um pouco de força para a frente. Mas Lewa não o largava. E Onua, ouvindo os dois, encaminhou-se na direcção deles.
- Lá para fora? Com este frio-gelado?
- O que se passa? – Perguntou Onua, olhando para eles. – Takanuva, ias-te embora?
- Eu só queria dar um passeio. – Respondeu, desanimado. Já não havia volta a dar, de certeza que teria de ficar.
- Mas o Lewa tem razão. Está a ficar frio, e os outros devem estar a chegar. Não vale a pena ir lá para fora.
Takanuva suspirou e acenou com a cabeça.
- Está bem. – Disse enquanto tirava o casaco e o pendurava outra vez no seu sítio.
- Ainda bem. – Sorriu Onua mais sossegado. – Anda connosco irmão, vamos sentar-nos ao pé da lareira.
Lewa aceitou imediatamente o convite, com Pewku atrás dele. Mas esta parou quando viu o seu dono, hesitante em entrar.
Sempre que entrava sentia-se logo tonto e a cabeça doía-lhe imenso. Às vezes julgava ouvir gritos, mas devia ser das dores.
Os seus dois irmãos olhavam para ele, preocupados. Deviam estar a perguntar-se o que se passava com ele, porque demorava tanto tempo a entrar. Takanuva não queria entrar e passar pelo mesmo, mas isso só os faria ficar mais preocupados com ele.
Deu uns passos para dentro, à espera que acontecesse alguma coisa “Até agora, nada de mal.” E continuou devagarinho para se sentar ao pé deles e da lareira onde se estava muito confortável.
Sorriu aliviado; Parecia que as tonturas tinham passado. Podia estar na sala mais descansado.
- Quase pensava que não vinhas. – Disse Lewa, com a sua expressão de gozo. – Um cospe-fogo que foge do calor, essa seria boa.
Tanto Onua como Takanuva se riram com ele.
- E agora? Podes falar sobre a carta? – Perguntou Takanuva, mais bem-disposto.
- É melhor não irmão. – Disse Onua. – Eu prefiro esperar até os outros chegarem.
- E nós ficamos sem nada fazer? – Perguntou Lewa, desagradando-lhe a ideia. – Não podemos rápido-espreitar para dentro do envelope?
- Tem paciência Lewa.
- Não posso evitar, estou muito curioso.
- Eu também. – Concordou Takanuva. – Não há nada no envelope que possamos saber?
- Só uma coisa: - Lewa e Takanuva inclinaram-se na direcção dele. – Está escrito em língua. Escreveram as palavras “Toa Nuva”
Rapidamente, Lewa levantou-se com um salto, com uma expressão preocupada.
- Queres dizer que alguém sabe onde estamos?
- …talvez…
A sua resposta arrepiou todos de uma maneira que nem o calor da lareira os confortava. Até Pewku, que nada tinha percebido, teve uma estranha sensação quando os viu todos calados e assustados. Naquele breve silêncio, cada um pensava para si mesmo e perguntava-se quem teria enviado o envelope: Seria amigo ou inimigo?
- Nós temos de avisá-los. – Disse Takanuva, levantando-se do sofá com um ar urgente e quase estonteada. – Isto de certeza que é sério.
- Eu sei Takanuva. – Disse Onua, levantando-se para o impedir de sair da sala. – Mas não é razão para ficar assim. Se fosse um inimigo teria atacado a nossa casa há muito tempo.
- Mas eles gostariam de saber o mais cedo possível.
- Olha, se tu quiseres….Takanuva, o que se passa?
Enquanto falava, Takanuva tinha começado a cambalear ligeiramente, pondo uma mão sobre a testa. Tentava manter-se de pé, mas as tonturas e o zumbido aumentava dentro da sua cabeça.
- Takanuva, responde, o que se passa? – Antes de desequilibrar-se, Onua agarrou-o a tempo e tentou levá-lo para o sofá, mas ele debatia-se contra a sua ajuda enquanto agarrava-se. O zumbido era tão alto que a sua cabeça parecia que ia explodir. – Lewa, ajuda-me! Deixa de olhar para a janela.
- Mas Onua…está ali alguém.
- O quê?
- Ao pé das árvores, e parece muito estranho-esquisito.
- Esquece Lewa, o mais importante agora é o nosso irmão. Vem cá.
Relutante, ele obedeceu. Takanuva continua a lutar contra os esforços do Onua, a sua cabeça a doer e andar à volta.
Os gritos voltaram a atormentá-lo. Conseguia ouvi-los melhor: eram gritos de pânico, puro terror; E quanto mais altos eram, mais as suas forças lhe fugiam.
- Takanuva aguenta-te, por favor! – Não percebia se o pedido vinha de Lewa ou do Onua, mas as suas vozes seguiam-no, mesmo quando fechava os olhos.
Na escuridão, começou a ver coisas desfocadas que chegavam cada vez mais perto. Nessa altura, já ele tinha perdido os sentidos.

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Seg Jan 26, 2009 12:45 am

7 - parte 3


Tahu, Pohatu e Onua entreolhavam-se, cheios de ansiedade e receio pelo seu amigo inconsciente que tinham posto a descansar no seu quarto. Kopaka cruzava os braços em silêncio, olhando para a escada à espera que Gali viesse para lhes dizer o estado de Takanuva, e Lewa sentou-se numa cadeira virada ao contrário, apoiando-se no encosto com um olhar preocupado pelo irmão e assustado pelo que tinha visto naquela tarde.
Tahu bem queria dizer alguma coisa. Saber que o o Toa de luz tinha desmaiado outra vez era uma situação preocupante para ele. E estava também interessado em saber como é que ele estava.
Não tiveram de esperar muito, pois Gali apareceu a descer as escadas. Todos os olhares caíram sobre ela, que soltou um suspiro e sorriu de alívio, acalmando-os.
- Ele está a dormir agora. Já recuperou da palidez e não tem febre nem nada. – Disse ela, profundamente contente. – A Pewku ficou lá a fazer-lhe companhia.
Aquilo fê-los sentir mais aliviados; Pelo menos ele estava fora de perigo.
Mas a expressão de Gali sugeria que ela não tinha acabado:
- Só há uma coisa que me preocupa: ele acordou muito assustado e depois disse “Outra vez não…”. Além disso, falava de muitas coisas durante o sono.
- Que coisas? – Perguntou Pohatu.
- Perguntava coisas como “O que é isto?”, ou “Porque é que estás aqui?”. Isto quando não estava a gritar e a gemer.
- Isso é um sonho muito mau-horrível. – Comentou Lewa, agitado e preocupado com o amigo.
- Ou pior que um pesadelo… - Pensou Kopaka, observando a janela como es estivesse alguma coisa interessante lá fora. Ninguém duvidava das suas palavras. Nada mais explicava o que tinha acontecido ao Takanuva. – As coisas não têm andado normais.
Tahu e Pohatu baixaram ligeiramente a cabeça, um perdido em pensamentos com as palavras de Kopaka, outro sentindo que as palavras se dirigiam a ele. Pohatu estava a sentir-se cada vez mais cansado desde aquela noite e Tahu ainda sentia calafrios quando pensava na visão do dia anterior. Às vezes quando olhava para Lewa, parecia ver…. O “outro Lewa” como ele dizia só para evitar aquela palavra. Mesmo que o jovem toa do ar aparentasse estar normal, Tahu mantinha um olho sobre ele.
- Mas, porquê? – Perguntou Kopaka, como se estivesse a falar consigo mesmo.
Ouve um silêncio profundo entre os seis heróis, todas entregues àquela pergunta e às suas próprias teorias. Ninguém acreditava ser algo tão banal como uma doença, e o que quer que tivesse feito aquilo a ele tinha de ser muito forte.
“Jo….será?” Pensou Gali, incerta e nervosa com aqueles acontecimentos. Tinha a certeza que ela não faria aquilo. Porque iria ela torturar um dos seus irmãos? Porque iria fazê-lo depois de a ter ajudado e a ter aconselhado? Nunca iria chegar a esses termos, ela estava segura.
Para os outros, a palavra mais ressonante, foi a que mais os fez tremer:
“Makuta”

- Acham que foi ele? – Perguntou Lewa.
- Faz sentido. – Tahu cruzou os braços. – Talvez Makuta esteja mesmo aqui, à espera de nos apanhar desprevenidos.
- Mas o Makuta nunca afectou o Takanuva desta maneira. – Contrapôs Gali.
- Ela tem razão. – Apoiou Onua. – Somos todos Toa e até agora não nos aconteceu nada.
Onua viu que ao seu lado, Pohatu tinha ficado estranhamente tenso com as suas palavras; constrangido até, como se soubesse o que se passava verdadeiramente. E Tahu à sua frente também parecia agir de uma maneira esquisita. “O que se passa nesta casa? O que se passa Pohatu?” perguntava-se, preocupado. Tinha de o saber; depois da conversa.
- Então esta pessoa que anda a afectá-lo deve ser deste mundo. – Concluiu Gali.
- Se pudéssemos descobrir… - Disse Pohatu, cabisbaixo e desanimado, chocando alguns na cozinha.
Nenhum deles poderia saber….só divagar…..
- Eeeeeeu, vou andar para o quintal. – Disse Lewa, após algum silêncio, levantando-se da cadeira e indo para a porta. Se ele pudesse descobrir quem tinha estado lá fora, talvez ele poderia descobrir quem tinha feito aquilo ao seu irmão.
Ninguém percebeu porque é que ele foi para o quintal; todos excepto Onua, que se lembrava muito bem do que ele tinha dito enquanto tentava fazer Takanuva voltar a si. Mas naquele momento estava mais preocupado com Pohatu e o temor estampado nos seus olhos. O que é que teria tirado a alegria e a boa-disposição que eram habituais no seu amigo de longa data?
Ainda não sabia, mas haveria de descobrir.
E com a saí da de Lewa, a equipa dividiu-se: Kopaka foi para a sala, embrenhado nos seus pensamentos e Pohatu levantou-se para sair da cozinha, seguido por Onua. Tahu, sem conseguir dizer mais nada, também saiu e subiu as escadas; Apenas Gali ficou ali, sentindo-se preocupada, e até impotente, incapaz de ajudar os seus irmãos.
- O que é que está a acontecer-nos? – Perguntou-se, sabendo que ninguém lhe daria a resposta.
Mas ela queria ajudá-los; queria saber o que os estava a atormentar e acabar com ele.
Sentiu o pendente entre os seus dedos e voltou a pensar na Jo. Tinha a certeza absoluta de que não era ela a má da fita. Mas, também ela acreditava que ela sabia alguma coisa que a poderia ajudar.
Estava decidido: no dia seguinte iria vê-la e tentar faze-la contar-lhe a verdade. Assim, ela poderia resolver o problema que os andava a perseguir há muito tempo.
Poderia, fazê-lo, não é?

- O que é que estás dizer? – Perguntou Pohatu, encostado à parede, olhando para a cara séria do Onua. – Achas que iria esconder alguma coisa dos meus irmãos?
- Sim, irias; se essa coisa estivesse a meter-te medo, esconderias.
Desde que saiu da cozinha com Onua atrás dele, com o olhar de quem de quem pretende algo, Pohatu sabia que o seu segredo tinha acabado e que não o poderia esconder mais. Iria preocupar os seus irmãos, era verdade, mas jamais seria capaz de lhes mentir.
- Vá lá Pohatu, o que é que aconteceu?
- Não precisas de te preocupar. Eu estou bem, não me aconteceu nada.
- Nada? – Abanou a cabeça com descrença. – Andas cansado e com péssimo aspecto como um caranguejo ussal depois de uma corrida, parece que andas com medo de alguém e nunca dormes. Já nem sequer pareces o Pohatu que conhecemos.
Pohatu baixou a cabeça com vergonha sob o olhar preocupado do seu irmão. Teria de dizer, talvez até fosse melhor.
- A terra não pode ser enganada irmão. – Disse Onua. – O que se passa contigo?
Com um suspiro, ele decidiu:
- Lembraste daquela noite em que eu gritei?
- Sim, já foi há um tempo, mas lembro-me. E então?
- Não fui eu?
- Quê?
- Todas as noites vem uma mulher ao nosso quarto e tenta seduzir-me.
Onua franziu o sobrolho:
- Tens a certeza do que estás a dizer? Como é que ela poderia entrar? – Pohatu encolheu os ombros como resposta.
- Não faço ideia. Mas depois ela começa a gritar e começa a desaparecer.
“Um fantasma?” Onua arrepiou-se com a ideia de que um fantasma passava por ele todas as noites; e nem se deu conta do que acontecia à sua volta. Mas aquilo provava o que parecia loucura para ele: alguma coisa de anormal se estava a passar naquela coisa.
Lembrou-se do Takanuva, com pena, mas também com curiosidade: ele devia ver alguma coisa mesmo importante, se causava aqueles desmaios. Ele deveria ser a chave para resolver este mistério.
- Em que estás a pensar irmão? – Perguntou Pohatu, curioso com o ar dele, como se estivesse a pensar noutra coisa.
- Acho que amanhã temos mesmo de falar com o Takanuva.
- E por causa dos desmaios, ah?
Onua acenou para ele, ambos compartilhando a mesma ideia.
Ouviram a porta da entrada abrir e os dois olharam das escadas para baixo: Lewa acabara de entrar com uma cara de caso, o que queria dizer que ele também tinha más novas.
E quando viu o Toa da terra e da pedra no cimo das escadas, curiosos e com uma cara séria, juntou-se a eles.
- Encontraste alguma coisa? – Perguntou Onua.
- Hm? – Pohatu estava confuso com a conversa.
- O Lewa tinha visto alguma coisa lá fora quando o Takanuva desmaiou. – E virou-se para a Lewa. – Então?
- Nada-ninguém. Mas eu procurei-encontrei umas pegadas ao pé do jardim.
- Pegadas? Devem ser do Pewku. – Disse Pohatu.
- Acho- penso que não. São ainda mais pequenas que as do Pewku. – Pensou por uns segundos antes de continuar. – Parece mesmo as de um gato.
- Não faz sentido. Quem é que tem gatos na vila? E como é que um gato pode ser perigoso?
Nenhum deles sabia as respostas. Mas para Gali, que tinha ouvido a conversa toda da cozinha, as respostas eram as que ela mais temia saber.

Tahu ficou aliviado por ver que não estava ninguém no quarto de Takanuva. Não queria dar explicações nenhumas aos outros sobre o que ia fazer. Aliás, achava normal querer ver como estava um dos seus irmãos.
Viu que ele ainda estava a dormir, sossegado e livre de pesadelos finalmente, com a Pewku deitada ao seu lado de cabeça erguida como um fiel cão de guarda. Mas quando viu o Toa do fogo a entrar, baixou a cabeça e não disse nada.
Ele também ficou em silêncio. Iria dizer o quê? As palavras seriam inúteis, ninguém iria ouvi-las. Mas ficava satisfeito por ver ele melhor.
Sim, ele era o Toa da luz; Takanuva, um dos sete Toa. Mas ele em tempos tinha sido Takua, um dos vários Ta-matoran que Tahu jurou proteger com a sua vida. Ainda diferente, e mesmo se tivesse visto mais do que muitos matoran, para ele Takanuva ainda tinha muito que aprender. E ajudava-o sempre que podia.
Mas agora estava ele em perigo, e pela primeira vez, o Toa do fogo não sabia como o salvar. Aquele sentimento de impotência dava-lhe uma raiva ardente.
A única coisa que o punha calmo era que ele não estava só. Também os outros estavam decididos a ajudar o seu irmão a recuperar. Mas ele não iria esperar mais. Os desmaios, os tempos de desespero, o mistério à volta de Lewa, os avisos e ameaças….já tinha aguentado mais que suficiente!
- Aguenta aí miúdo. – Pediu Tahu baixinho, sabendo que ele não o iria ouvir. E saiu do quarto, a sua chama de líder a arder mais uma vez. Iria encontrar a solução; Ele, mais os seus irmãos.
“De uma maneira ou de outra iremos acabar com isto; juntos!”

O que terá acontecido naquela casa a uns anos atrás? Wink O momento da verdade aproxima-se
E desculpem por o capítulo ser tão grande outra vez ^^; Espero que tenham gostado.

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Lhikan em Seg Jan 26, 2009 6:58 pm

Humm.... isto está cada vez mais estranho-misterioso, como diria o Lewa Razz
Um gato, um envelope em linguagem matoran e uma mulher que tenta seduzir Pohatu, hummm Suspect

A história está a ficar interessante, mas muito misteriosa, quero ver como é que os toa vão desatar esse nó.

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Le-matoran girl em Sex Jan 30, 2009 2:04 am

lol, é bem verdade Smile
Pois, as coisas andam muito estranhas à volta dos toa Wink Posso dizer-te que no próximo capítulo algumas coisas vão ser explicadas. Mas ainda vou demorar um bocado. Sad Tenho de estudar para o exame.

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por Dinis25 em Sab Fev 14, 2009 3:52 pm

A história está óptima.
Estou a adorar.
Parabéns. cheers

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por kiina21 em Sex Jan 08, 2010 8:42 pm

gosto muito da maneira como escreves es muito boa nisto! Very Happy
eu,sou grande fã de livros study e tu tens talento!
devo dizer que tirei ideias da tua historia e fiz uma (nao esta aqui)mas mudifiquei muito, nao esta acabada mas eu acho que esta a sair bem. Very Happy
mas estou a por o comentario porque acho que es muito talentosa no que toca a escrita!
a tua historia fez me entrar num mundo de que eu gostei muito durante 2 semanas so pensei em tentar ter uma boa ideia para uma historia para a escrever tao bem como tu.
obrigado,
kiina21 Very Happy

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Re: Uma casa "quase"perfeita

Mensagem por kiina21 em Qua Jan 20, 2010 9:03 pm

se viste o meu comentario entao peço te que o sigas,senao nunca saberei o fim da historia Crying or Very sad , o meu irmao tnccs tambem te admira como escritora todos os dias vem ver se tens algo novo fica um pouco dessecionado Neutral portanto se nao quiseres escrever mais digo te estas a cometer um erro enorme!
mas por favor responde
com uma grande paixao pela tua escritura
kiina21 I love you

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Re: Uma casa "quase"perfeita

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